Ouviram minhas preces!

Há algum tempo eu escrevi em uma lista de discussões sobre ciclismo, cicloturismo, e afins a minha opinião sobre as bicicletadas, principalmente as motivadas por recentes acidentes como o que matou a Juliana Dias na Av. Paulista este ano.

Toda a forma de protesto para mim é válida, e sinaliza a insatisfação de uma massa que não está sendo observada por alguém. Como nós que andamos de bicicleta no trânsito e não somos ouvidos por ninguém.

Mas em minha opinião, todo mês eu fazer um protesto (as bicicletadas) e ferrar o já caótico trânsito de uma Av. Paulista (SP) ou Av. Rio Branco (RJ) vai ajudar em que?

Ok, será visível a imprensa (isso nas primeiras ocorrências, depois até a imprensa deixa de cobrir com ênfase o assunto), blogs, etc., mas pense comigo: e aquele motorista que está ali preso pelos manifestantes e que anda de bicicleta, como eu, e está careca de saber as leis e as respeitá-las quando ao volante ou ao guidão? Ou aquele motorista que sempre respeitou os bikers? Estão ali de gaiato sendo prejudicados do seu direito de ir e vir?

Aí alguém vai dizer 2 coisas:

  1. Nenhum protesto visa poupar as pessoas, e sim conseguir as coisas pelo desconforto causado pelo protesto.
  2. Se tu és ciclista, e já sofreu um acidente de trânsito inclusive, porque não se junta a nós na manifestação?

E para mim as respostas seriam:

  1. Ok, mas gerar desconforto em quem?
    No infeliz que mora lá nos quintos dos infernos e leva “normalmente” 2 horas para chegar em casa de ônibus? Ele está pouco se lixando para toda a manifestação, porque ele não dirige ou não dirige naquele local, ele sempre passa de ônibus/coletivo por ali!
    Os demais motoristas que não fedem nem cheiram para os ciclistas? Aqueles motoristas que passam longe de nós ou quando não dá (leia 1,5m de distância, a bala de prata) pelo menos passa lento ao nosso lado e sempre nos respeitam?
    Eu vou ficar incomodando de graça esses caras para “acertar” os maus motoristas?
    Na boa, isso é o mesmo que dizer que ao bombardear uma comunidade carente dominada pelo tráfico de drogas resolve, mesmo matando os coitados inocentes junto.
  2. Sim, sou ciclista de final de semana, mas antes disto eu sou pai e moro a 40km do meu local de trabalho e tenho hora para buscar as crianças depois da escola. Eu não posso me dar ao luxo de deixá-las para participar de um protesto destes.

Então eu falei que o mais útil seria protestar no palácio do governo todos os meses, ou parar a rua em que mora o prefeito. Bloquear as idas e vindas desse camaradas que estão pouco se lixando para os ciclistas.
Ou ainda ir para a porta das empresas de ônibus protestar por mais educação desses camaradas que muitas vezes estão nos matando!

Porrada em quem tem que dar! Não sair por ai distribuindo murros.

Bem, essa é a minha humilde opinião, mas enfim… voltando as minhas preces, eu ainda falei que o problema de não sermos ouvidos poderia ser resolvido se colocássemos alguém no poder para ser nosso porta-voz. Como lançar um candidato a vereador que fosse correr atrás de projetos para nós (nós digo a mobilidade urbana como um todo).

Eis que ouviram minhas preces e Porto Alegre elegeu um ex-ciclista profissional para vereador sob a bandeira da mobilidade urbana!
Fantástico! Agora sim, como diz no filme Tropa de Elite 2 “porrada neles” vereador.

Antes vamos a ficha do vereador:

Marcelo Sgarbossa, 37 anos, é advogado especialista em direitos humanos e mestre em análise de políticas públicas pela Universidade de Turim (itália), onde pedalou profissionalmente. Foi campeão gaúcho e brasileiro de ciclismo (de estrada) e participou de três mundiais. O cara ainda foi coordenador do IAJ (Instituto de Acesso à Justiça), coordenador-geral de democratização do acesso à justiça no Ministério da Justiça em Brasília, etc.

Uma das frentes dele como vereador é fazer a prefeitura de Porto Alegre cumprir o artigo 32 da lei complementar 626/09, que determina que 20% do valor total de multas arrecadadas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) seja investido na construção de ciclovias e em campanhas de educação no trânsito.
E com o volume de multas que temos em Porto Alegre, isso é dinheiro pra caramba.

Tirando isso, Marcelo Sgarbossa vai ir trabalhar e aos demais encontros de trabalho de bicicleta, promovendo o que ele prega.

Espero que o vereador Marcelo Sgarbossa tenha toda a sorte do mundo em mudar as coisas para melhor na minha estimada cidade natal e que o exemplo seja seguido pelas demais cidades.

Sobre jeanjmichel

Analista de sistemas, casado, pai de gêmeas, ciclista amador, professor Padal nas horas vagas e viciado em tecnologia ;)
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